LIVRO - A UNIFICAÇÃO DOS TÍTULOS BRASILEIROS
LIVRO - A UNIFICAÇÃO DOS TÍTULOS BRASILEIROS

Como é sabido, a unificação dos títulos brasileiros, pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), causou muita polêmica. Alguns clubes ficaram satisfeitos, outros entendiam que faltou unificar títulos de outras competições.

Vamos tentar abordar o problema do ponto de vista histórico. Tentaremos agrupar os certames conforme o critério básico de sua composição, independentemente do nome e do critério de organização do torneio.

Obs.: este trabalho foi publicado originalmente em 2011, em versão reduzida, como capítulo do meu livro Do fundo do baú. No princípio, minha intenção era tão-somente investigar uma tese lançada por Vitor e Patrícia Iorio, de que o Interstate Cup, disputado entre clubes da colônia britânica, é o torneio mais antigo existente entre Rio de São Paulo. Tendo isso em mira, fui obrigado a buscar as linhas genealógicas que ligavam os campeonatos interestaduais do Brasil, com a finalidade de descobrir se algum deles era mais antigo que o dos ingleses. Minha conclusão continua lá, no capítulo “Primeiros torneios”. O problema é que, no mesmo período, estava em ebulição o debate sobre as Resoluções da Presidência (RDP) da CBF que, a seu modo, resolveram “reescrever” a história do Campeonato Brasileiro de futebol, incorporando títulos de outros torneios. Vi que a mesma pesquisa “genealógica” que eu havia feito para testar a tese dos Iorio poderia ser aproveitada para avaliar as decisões da CBF. Foi assim que, mudando o foco mas não o método, surgiu a 1ª edição deste trabalho, sob o título de Sobre a unificação dos títulos brasileiros.

Nesta 2ª edição, além de atualizar com títulos posteriores, acrescentei comentários e fiz algumas correções. A principal delas foi suprir a omissão da Copa dos Campeões da Copa Brasil, de 1978, que por um lamentável lapso eu havia esquecido. Agradeço aos leitores que gentilmente me alertaram para essa falha. E aproveito para me colocar à disposição para outras correções.

Sumário

1. Introdução

2. Torneios entre seleções
..... 2.1. Entre seleções – RJ-SP
..... 2.2. Entre seleções – Brasil

3. Torneios entre campeões estaduais
..... 3.1. Entre campeões estaduais – RJ-SP
..... 3.2. Entre campeões estaduais – Brasil

4. Torneios entre principais times
..... 4.1. Entre principais times – RJ-SP
..... 4.2. Entre principais times – Brasil

5. Cronologia – genealogia

6. Torneios entre campeões regionais

7. Torneios entre campeões nacionais

8. Para finalizar

9. Referências bibliográficas

 

2. Torneios entre seleções
 
 
 
2.1. Entre seleções – RJ-SP

No futebol, as duas primeiras partidas entre selecionados paulista (São Paulo Scratch Team, de camisa azul e preta e calção preto) e carioca (Rio Scratch Team, de camisa branca e calção preto) ocorreram em 19 e 20.10.1901. No campo do São Paulo Athletic Club (Spac), dois empates, não havendo concordância das fontes quanto aos placares. Segundo o jornal O Comércio de São Paulo de 17 e 21.10.1901 (apud Iorio), esses dois jogos constituíram o Campeonato Brasil-1901, sem vencedor em virtude do duplo empate.

Em 04 e 05.10.1902, no campo do Paysandu Cricket Club, foi realizado o Campeonato Brasil-1902. São Paulo foi representado por jogadores do Sport Club Internacional, enquanto o Rio foi por um combinado do Paysandu com o Fluminense Football Club – fundado meses antes (em 21.07.1902) por dissidentes do Paysandu, capitaneados por Oscar Cox. Dupla vitória carioca: 2x0 e 3x0.

Em 1907, ocorreu o auto-intitulado primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol. Apesar do nome, foi disputado somente pelas seleções paulista e carioca. Isso porque a Liga Metropolitana de Footbal (LMF), carioca, criou o torneio apenas para as ligas que ela reconhecia, e só reconheceu a Liga Paulista de Football (LPF). Duas vitórias garantiram a São Paulo o direito à Taça Brasil, oferecida pelo Presidente da República (mas que não foi entregue): 4x1 no Velódromo e 1x0 no campo do Paissandu.

Depois dessa experiência pioneira, foram disputados torneios anuais entre as seleções paulista e carioca, p.ex.: a Taça Correio da Manhã (1913 e 1914), a Taça Rio – São Paulo (1915 e 1916), Taças Fuchs, Hebe e Rodrigues Alves (de 1917 a 1920). Essas disputas entre seleções do Distrito Federal e São Paulo é que deram origem ao Campeonato Brasileiro de Seleções, a partir de 1922.
 
ENTRE SELEÇÕES DO DISTRITO FEDERAL (cidade do Rio) E SÃO PAULO
Ano Taça Campeão Vice
1901 Campeonato Brasil empate  
1902 Campeonato Brasil Distrito Federal São Paulo
1907 Brasil São Paulo Distrito Federal
1913 Correio da Manhã empate  
1914 Correio da Manhã São Paulo Distrito Federal
1915 Rio - São Paulo São Paulo Distrito Federal
1916 Rio - São Paulo São Paulo Distrito Federal
1917
 
Fuchs e Hebe
Rodrigues Alves
São Paulo
São Paulo
Distrito Federal
Distrito Federal
1918
 
Fuchs e Hebe
Rodrigues Alves
empate
São Paulo
 
Distrito Federal
1919
 
Fuchs e Hebe
Rodrigues Alves
São Paulo
São Paulo
Distrito Federal
Distrito Federal
1920 Rodrigues Alves São Paulo Distrito Federal
Títulos: 10 - São Paulo, 1 - Distrito Federal (Rio de Janeiro)
 
 
2.2. Entre seleções – Brasil

Em 1907, ocorreu o primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol. Apesar do nome, foi disputado somente pelas seleções paulista e carioca, como vimos acima. Como o nome é o que menos importa, foi considerado no capítulo anterior e não será neste.

Em comemoração ao Centenário da Independência e em preparação para a Copa América, que seria disputada (e vencida) no Brasil, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) criou o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1922. Novamente entre seleções, só que incluindo mais estados, foi vencido por São Paulo.

Diante do sucesso da competição, a partir de 1923, a CBD organizou campeonatos anuais e oficiais de seleções estaduais. Na década de 30, depois de a competição não ser organizada em 1930 e 1932, em virtude das Revoluções ocorridas nesses anos, a Federação Brasileira de Futebol (FBF), defensora do profissionalismo, organizou torneios paralelos de seleções estaduais, até ser incorporada pela CBD, em 1937.

Após várias interrupções, o último torneio, temporão, foi disputado em 1987. Segundo Marco Aurelio Klein, provavelmente por conta da crise entre CBF e Clube dos Treze. Com seleções compostas por jogadores dos reservas dos grandes times, o campeonato não empolgou e não foi mais reeditado.
 
CAMPEONATO BRASILEIRO DE FUTEBOL (DE SELEÇÕES ESTADUAIS)
ANO CAMPEÃO VICE ORGANIZAÇÃO
1922 São Paulo Distrito Federal CBD
1923 São Paulo Distrito Federal CBD
1924 Distrito Federal São Paulo CBD
1925 Distrito Federal São Paulo CBD
1926 São Paulo Distrito Federal CBD
1927 Distrito Federal São Paulo CBD
1928 Distrito Federal Paraná CBD
1929 São Paulo Distrito Federal CBD
1931 Distrito Federal São Paulo CBD
1933 São Paulo Distrito Federal FBF
1934
 
São Paulo
Bahia
Distrito Federal
São Paulo
FBF
CBD
1935
 
Distrito Federal
Distrito Federal
São Paulo
São Paulo
FBF
CBD
1936 São Paulo Rio Grande do Sul CBD
  Torneio substituído pela Copa dos Campeões, 1937 FBF
1938 Distrito Federal São Paulo CBD
1939 Distrito Federal São Paulo CBD
1940 Distrito Federal São Paulo CBD
1941 São Paulo Distrito Federal CBD
1942 São Paulo Distrito Federal CBD
1943 Distrito Federal São Paulo CBD
1944 Distrito Federal São Paulo CBD
1946 Distrito Federal São Paulo CBD
1950 Distrito Federal São Paulo CBD
1952 São Paulo Distrito Federal CBD
1954 São Paulo Distrito Federal CBD
1956 São Paulo Distrito Federal CBD
1959 São Paulo Pernambuco CBD
1962 Minas Gerais Guanabara CBD
1987 Rio de Janeiro São Paulo CBF
Títulos: 14 – São Paulo, Distrito Federal (Rio de Janeiro); 1 – Bahia, Minas Gerais

 

ENTRE CAMPEÕES ESTADUAIS RJ-SP
Ano Campeões de Campeão Vice Taça
1909 1908 Fluminense Paulistano (amistoso)
1911 1910 AA Palmeiras Botafogo Salutaris
1914 1913 Paulistano e América   dos Campeões Estaduais
1915 1914 São Bento Flamengo dos Campeões Estaduais
1917 1916 América Paulistano Ioduran
1918 1917 Paulistano Fluminense Ioduran
1919 1918 Fluminense Paulistano Ioduran
1927 1926 Palestra São Cristóvão dos Campeões Estaduais
1930 1929 Corinthians Vasco dos Campeões Estaduais
1931 1930 Botafogo Corinthians dos Campeões Estaduais
1941 1941 Corinthians Fluminense dos Campeões Estaduais
1942 1942 SE Palmeiras Flamengo dos Campeões Estaduais
1947 1947 SE Palmeiras Vasco dos Campeões Estaduais
1953 1953 São Paulo Flamengo dos Campeões Estaduais
Títulos: 3 – SE Palmeiras (e Palestra); 2 – Fluminense, Paulistano, America, Corinthians; 1 – AA das Palmeiras, São Bento, Botafogo, São Paulo
Por estado: 10 - São Paulo; 5 - Rio de Janeiro
 
 
3.2. Entre campeões estaduais – Brasil

Em março de 1920, no Estádio das Laranjeiras, foi disputada a Copa dos Campeões, um torneio entre os times campeões do ano anterior em São Paulo (Paulistano), Rio de Janeiro (Fluminense) e Rio Grande do Sul (GE Brasil, primeiro campeão gaúcho). O Paulistano foi o campeão, ao vencer o Fluminense por 4x1 e o Brasil por 7x3. O Fluminense foi o vice, ao vencer o Brasil por 6x2.

A segunda edição ocorreu em janeiro e fevereiro de 1937, fruto do conflito de poder travado entre a Federação Brasileira de Futebol (FBF), de futebol profissional, e a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), ainda presa ao futebol amador. Foi disputada pelos times que, em 1936, tinham se sagrado campeões profissionais no sudeste: Atlético (MG), Fluminense (DF – cidade do Rio), Rio Branco (ES), Portuguesa de Desportos (SP), Aliança (RJ – antigo estado do Rio) e Liga de Sports da Marinha.

Semelhante a esse foi o Torneio dos Campeões de 1967, do qual participaram o campeão e o vice mineiros (Cruzeiro e Atlético, respectivamente), mais os campeões paulista (Palmeiras) e carioca (Bangu), todos de 1966. O torneio foi vencido pelo Bangu, vice Atlético-MG. Porém, nessa época já era disputado um certame de maior amplitude, a Taça Brasil, o primeiro torneio anual regular entre os campeões estaduais. Criada para preencher a vaga brasileira na Libertadores, a competição durou de 1959 a 1968. Depois, veio a Copa do Brasil, de 1989 em diante.
 
ENTRE CAMPEÕES ESTADUAIS - BRASIL
Ano Campeão Vice Torneio
1920 Paulistano Fluminense Copa dos Campeões
1937 Atlético-MG Fluminense Copa dos Campeões
1959 Bahia Santos Taça Brasil
1960 Palmeiras Fortaleza Taça Brasil
1961 Santos Bahia Taça Brasil
1962 Santos Botafogo Taça Brasil
1963 Santos Bahia Taça Brasil
1964 Santos Flamengo Taça Brasil
1965 Santos Vasco Taça Brasil
1966 Cruzeiro Santos Taça Brasil
1967 Palmeiras Náutico Taça Brasil
1968 Botafogo Fortaleza Taça Brasil
1989 Grêmio Sport Copa do Brasil
1990 Flamengo Goiás Copa do Brasil
1991 Criciúma Grêmio Copa do Brasil
1992 Internacional Fluminense Copa do Brasil
1993 Cruzeiro Grêmio Copa do Brasil
1994 Grêmio Ceará Copa do Brasil
1995 Corinthians Grêmio Copa do Brasil
1996 Cruzeiro Palmeiras Copa do Brasil
1997 Grêmio Flamengo Copa do Brasil
1998 Palmeiras Cruzeiro Copa do Brasil
1999 Juventude Botafogo Copa do Brasil
2000 Cruzeiro São Paulo Copa do Brasil
2001 Grêmio Corinthians Copa do Brasil
2002 Corinthians Brasiliense Copa do Brasil
2003 Cruzeiro Flamengo Copa do Brasil
2004 Santo André Flamengo Copa do Brasil
2005 Paulista Fluminense Copa do Brasil
2006 Flamengo Vasco Copa do Brasil
2007 Fluminense Figueirense Copa do Brasil
2008 Sport Corinthians Copa do Brasil
2009 Corinthians Internacional Copa do Brasil
2010 Santos Vitória Copa do Brasil
2011 Vasco Coritiba Copa do Brasil
2012 Palmeiras Coritiba Copa do Brasil
2013 Flamengo Atlético-PR Copa do Brasil
Títulos: 6 – Santos; 5 – Cruzeiro; 4 – Grêmio, Palmeiras; 3 – Flamengo; 2 - Corinthians; 1 – Paulistano, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Criciúma, Internacional, Juventude, Santo André, Paulista, Fluminense, Sport, Vasco
Por estado: 15 - São Paulo; 6 - Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro; 1 - Bahia, Santa Catarina, Pernambuco

 

4. Torneios entre principais times
 
 
 
4.1. Entre principais times – RJ-SP

Em 1933, para comemorar a profissionalização do futebol, paulistas e cariocas criam a Federação Brasileira de Futebol, que, à revelia da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), organiza o primeiro campeonato só entre equipes cariocas e paulistas, mas não restrito aos campeões estaduais, o Torneio Rio – São Paulo de 1933: Palmeiras campeão, São Paulo vice, mais 10 participantes.

A segunda edição ocorreu em 1940, mas o fracasso de público foi tamanho que o torneio foi interrompido ao fim do primeiro turno, sem campeão oficial, quando Flamengo e Fluminense estavam empatados em primeiro lugar (sobre essa edição, ver o nosso artigo “Pelo reconhecimento de títulos cariocas extraoficiais”).

Depois, em 1942, houve um torneio Quinela de Ouro, vencido pelo Corinthians (Flamengo vice), mas não considerado oficialmente um Rio – São Paulo em virtude da participação de apenas cinco clubes (daí o nome “quinela”).

As edições seguintes do Rio – São Paulo só ocorreram a partir de 1950. A partir de 1955, passou a ter o nome de Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Em 1964, nas finais, o Botafogo venceu o Santos na primeira partida, porém a segunda não foi disputada por falta de datas e ambos foram declarados campeões. Em 1965, Portuguesa e São Paulo terminaram empatados em segundo lugar. Em 1966, os clubes tiveram os times tão esvaziados pela cessão de jogadores para a seleção, que começava a treinar para a Copa do Mundo da Inglaterra, que se recusaram a disputar o quadrangular final. Resultado: os quatro melhores colocados foram oficialmente declarados vencedores. Foram os quatro alvinegros daquela edição: Botafogo, Santos, Vasco e Corinthians (aqui, na ordem decrescente de saldo de gols).

A partir de 1967, o passou a contar com times de outros estados, deixando de ser efetivamente um “Rio – São Paulo”. Em 1993, organizou-se uma edição avulsa do Torneio Rio – São Paulo, que voltou a hibernar nos anos seguintes, para ser retomado a partir de 1997. Sua última edição foi em 2002. Ironicamente, o ano em que foi criada a Liga Rio – São Paulo.

Como estamos falando em “principais times”, não consideraremos aqui o Torneio Ricardo Teixeira de 1993 (vencido pelo Mogi-Mirim, Bangu vice), uma espécie de 2ª divisão do Rio – São Paulo.
 
ENTRE PRINCIPAIS TIMES – RJ-SP
Ano Campeão Vice Torneio
1933 Palmeiras São Paulo Rio-São Paulo
1940 Flamengo e Fluminense   Rio-São Paulo
1942 Corinthians Flamengo Quinela de Ouro
1950 Corinthians Vasco Rio-São Paulo
1951 Palmeiras Corinthians Rio-São Paulo
1952 Portugesa Vasco Rio-São Paulo
1953 Corinthians Vasco Rio-São Paulo
1954 Corinthians Fluminense Rio-São Paulo
1955 Portuguesa Palmeiras Roberto Gomes Pedrosa
1957 Fluminense Vasco Roberto Gomes Pedrosa
1958 Vasco Flamengo Roberto Gomes Pedrosa
1959 Santos Vasco Roberto Gomes Pedrosa
1960 Fluminense Botafogo Roberto Gomes Pedrosa
1961 Flamengo Botafogo Roberto Gomes Pedrosa
1962 Botafogo Palmeiras Roberto Gomes Pedrosa
1963 Santos Corinthians Roberto Gomes Pedrosa
1964 Botafogo e Santos   Roberto Gomes Pedrosa
1965 Palmeiras Portuguesa e São Paulo Roberto Gomes Pedrosa
1966 Botafogo, Santos, Vasco e Corinthians   Roberto Gomes Pedrosa
1993 Palmeiras Corinthians Rio-São Paulo
1997 Santos Flamengo Rio-São Paulo
1998 Botafogo São Paulo Rio-São Paulo
1999 Vasco Santos Rio-São Paulo
2000 Palmeiras Vasco Rio-São Paulo
2001 São Paulo Botafogo Rio-São Paulo
2002 Corinthians São Paulo Rio-São Paulo
Títulos: 6 – Corinthians; 5 – Palmeiras, Santos; 4 – Botafogo; 3 – Fluminense, Vasco; 2 – Flamengo, Portuguesa; 1 – São Paulo
Por estado: 19 - São Paulo; 12 - Rio de Janeiro
 
 
4.2. Entre principais times – Brasil

Segundo Rubens Ribeiro, a primeira idéia de um campeonato brasileiro foi de Francisco Xavier Paes de Barros, que, em 1903, sugeriu ao Paulistano a disputa de uma taça de prata entre clubes de diversas regiões do país.

A idéia só veio a se concretizar a partir de 1967. Como dissemos, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que até o ano anterior contava apenas com times do Rio de Janeiro (estado da Guanabara) e de São Paulo, passou a contar também com times de outros estados, sendo um protótipo do Campeonato Brasileiro. Era o famoso “Robertão”. Tanto o Rio – São Paulo pode ser considerado o ponto de partida para o Brasileirão que a própria CBF, em 1980, reconheceu isso como justificativa para conceder maior número de vagas para clubes desses dois estados (cf. Assaf). Na realidade, como diz Roberto Assaf, “é esse, de fato, efetivamente o primeiro campeonato – na essência da palavra – de âmbito nacional disputado no Brasil”.

Em 1970, chamou-se Taça de Prata. A euforia provocada pela conquista da Copa do Mundo do México levou a CBD a oficializá-la como Campeonato Nacional, a partir de 1971.

Para abrir a temporada, a CBD instituiu também o Torneio do Povo, entre os times mais populares de alguns estados. Com esse nome demagógico, foi disputado – que ironia – justamente durante os anos de chumbo: 1971 a 1973. Com a proximidade da Copa do Mundo da Alemanha e o risco de concorrer com o próprio Campeonato Nacional, a CBD o extinguiu em 1974. Não vou considerá-lo entre os “torneios entre principais times – Brasil” porque nem ele nem seus participantes pretendem compará-lo com o Campeonato Nacional então existente, que tinha maior representatividade. Pelo mesmo motivo, não consideraremos o Torneio Heleno Nunes nem o Torneio Maria Quitéria.

De 1975 a 1979, o campeonato mudou de nome para Copa Brasil. De 1980 em diante, passou a se chamar Campeonato Brasileiro. De 1980 a 1983 e 1985, a 2ª divisão foi chamada de Taça de Prata, em contraste com a Taça de Ouro (1ª divisão) e a Taça de Bronze de 1981 (primeira edição da 3ª divisão). Em 1984, a 2ª divisão se chamou Taça CBF e, em 1986, Torneio Paralelo.

Em 11.07.1987, os principais clubes do país criaram o Clube dos Treze que organizou uma Copa União entre 16 times. Depois, a CBF chamou o torneio original do Clube dos Treze de Módulo Verde (1ª divisão), criou os Módulos Amarelo (2ª divisão), Azul e Branco (3ª divisão) e um quadrangular final entre os campeões e vices dos dois primeiros, que não foi aceito pelo Clube dos Treze. Assim, para o Clube dos Treze, o campeão é o Flamengo, primeiro lugar do Módulo Verde. Para a Justiça Comum, é o Sport, do Amarelo, porque o Flamengo não disputou esse quadrangular. A CBF chegou a considerar ambos campeões, cf. RDP nº 2, de 21.02.2011. Só que, em cumprimento a uma ordem judicial, teve de voltar atrás, cf. RDP nº 6, de 14.06.2011. Até o encerramento da redação deste texto, a questão ainda estava em aberto.

Para as finalidades deste texto, pouco importa a decisão da CBF ou da justiça. Simplesmente porque: (i) as decisões da CBF não me atingem porque eu não sou um clube nem uma federação; (ii) as ordens judiciais não me obrigam porque não sou parte na ação; (iii) isto aqui não é uma decisão mas apenas uma opinião e (iv) minha análise se prende ao critério da composição dos torneios, portanto não é jurídica nem se pauta pelos mesmos aspectos em discussão na ação judicial.

Sendo assim, em minha opinião (apoiada nas obras de Roberto Assaf, Gustavo Roman e Luís Miguel Pereira, bem como na revista Placar Tira-Teima), a Copa União representa, no ano de 1987, o “torneio entre os principais times – Brasil”, enquanto o quadrangular vencido pelo Sport constitui um campeonato entre campeões nacionais, conforme explicaremos no capítulo próprio destes, mais adiante.

Em 2000, uma ação judicial do Gama-DF que impedia a realização do Campeonato Brasileiro obrigou a CBF a criar, em seu lugar, a Copa João Havelange, dividida nos Módulos Azul (1ª divisão), Amarelo (2ª divisão), Verde e Branco (3ª divisão).

Não vamos considerar aqui a Copa São Paulo de Juniores porque a limitação de idade impede que seja disputada pelos times principais dos clubes (tratamos disso ao falar em equivalência de índice técnico, em nosso artigo “Pelo reconhecimento de títulos cariocas extraoficiais”). Também não consideramos o Torneio da Imprensa porque, entre outros motivos, era um torneio misto, que contava não só com clubes (como o campeão Bangu e a vice Portuguesa), mas também com dois combinados: Atlético-Cruzeiro e Bonsucesso-Madureira-Canto do Rio.

É claro que a 2ª, 3ª e 4ª divisões do Brasileirão são torneios de âmbito nacional. No entanto, nossa análise considera os “principais times”, que, em tese, deveriam estar na 1ª. Pelo mesmo motivo, não consideramos o Torneio de Integração Nacional, composto por dezesseis times que ficaram de fora do Campeonato Nacional de 1971.
 
ENTRE PRINCIPAIS TIMES – BRASIL
Ano Campeão Vice Torneio
1967 Palmeiras Internacional Roberto Gomes Pedrosa
1968 Santos Internacional Roberto Gomes Pedrosa
1969 Palmeiras Cruzeiro Roberto Gomes Pedrosa
1970 Fluminense Palmeiras Taça de Prata
1971 Atlético-MG São paulo Campeonato Nacional
1972 Palmeiras Botafogo Campeonato Nacional
1973 Palmeiras São Paulo Campeonato Nacional
1974 Vasco Cruzeiro Campeonato Nacional
1975 Internacional Cruzeiro Copa Brasil
1976 Internacional Corinthians Copa Brasil
1977 São Paulo Atlético-MG Copa Brasil
1978 Guarani Palmeiras Copa Brasil
1979 Internacional Vasco Copa Brasil
1980 Flamengo Atlético-MG Campeonato Brasileiro
1981 Grêmio São Paulo Campeonato Brasileiro
1982 Flamengo Grêmio Campeonato Brasileiro
1983 Flamengo Santos Campeonato Brasileiro
1984 Fluminense Vasco Campeonato Brasileiro
1985 Coritiba Bangu Campeonato Brasileiro
1986 São Paulo Guarani Campeonato Brasileiro
1987 Flamengo Internacional Copa União
1988 Bahia Internacional Campeonato Brasileiro
1989 Vasco São Paulo Campeonato Brasileiro
1990 Corinthians São Paulo Campeonato Brasileiro
1991 São Paulo Bragantino Campeonato Brasileiro
1992 Flamengo Botafogo Campeonato Brasileiro
1993 Palmeiras Vitória Campeonato Brasileiro
1994 Palmeiras Corinthians Campeonato Brasileiro
1995 Botafogo Santos Campeonato Brasileiro
1996 Grêmio Portuguesa Campeonato Brasileiro
1997 Vasco Palmeiras Campeonato Brasileiro
1998 Corinthians Cruzeiro Campeonato Brasileiro
1999 Corinthians Atlético-MG Campeonato Brasileiro
2000 Vasco São Caetano Copa João Havelange
2001 Atlético-PR São Caetano Campeonato Brasileiro
2002 Santos Corinthians Campeonato Brasileiro
2003 Cruzeiro Santos Campeonato Brasileiro
2004 Santos Atlético-PR Campeonato Brasileiro
2005 Corinthians Internacional Campeonato Brasileiro
2006 São Paulo Internacional Campeonato Brasileiro
2007 São Paulo Santos Campeonato Brasileiro
2008 São Paulo Grêmio Campeonato Brasileiro
2009 Flamengo Internacional Campeonato Brasileiro
2010 Fluminense Cruzeiro Campeonato Brasileiro
2011 Corinthians Vasco Campeonato Brasileiro
2012 Fluminense Atlético-MG Campeonato Brasileiro
2013 Cruzeiro Grêmio Campeonato Brasileiro
Títulos: 6 – Palmeiras, São Paulo, Flamengo; 5 – Corinthians; 4 – Vasco, Fluminense; 3 – Santos, Internacional; 2 – Grêmio, Cruzeiro; 1 – Atlético-MG, Guarani, Coritiba, Bahia, Botafogo, Atlético-PR
Por estado: 21 - São paulo; 15 - Rio de Janeiro; 5 - Rio Grande do Sul; 3 - Minas Gerais; 2 - Paraná; 1 - Bahia

 

 

5. Cronologia – genealogia
 
 
 
Como se percebe na tabela abaixo, as disputas entre os campeões estaduais de Rio de Janeiro e São Paulo se bifurcaram: de um lado, competições entre os campeões estaduais do Brasil (Taça Brasil e Copa do Brasil); de outro, competições entre os principais times de Rio e São Paulo (Roberto Gomes Pedrosa) – que, por sua vez, deram origem às competições entre os principais times do Brasil (Campeonato Brasileiro).

Marco Aurelio Klein defende que a sucessora da Taça Brasil é a Copa do Brasil, não o Campeonato Brasileiro. Assim também o Anuário Placar 2004, lembrando que duas características as assemelham: o fato de reunir campeões estaduais em jogos eliminatórios de ida e volta. Concordo com a semelhança, pois o critério básico é mais assemelhado entre a Taça e a Copa. Claro que outros times são incluídos, mas a idéia central de ambos os torneios é a mesma: a reunião dos campeões estaduais.

Mas há argumentos contrários. Quanto ao argumento da vaga para a Libertadores da América, que passou da Taça Brasil para o Campeonato Brasileiro, não subsiste, uma vez que a Copa do Brasil também garante essa vaga. Quanto às diferenças na organização dos torneios (Taça do Brasil é com chaves regionais), não são suficientes para afastar o parentesco. Afinal, o Campeonato Brasileiro mudou de regulamento incontáveis vezes ao longo dos anos e, nem por isso, deixou de ser considerado um mesmo certame.

Entendo que os mesmos argumentos são aplicáveis – cum grano salis – ao “parentesco” existente entre o Roberto Gomes Pedrosa e o Campeonato Brasileiro. O Robertão, a partir de 1967, constitui uma versão ampliada do “Robertinho” (Rio – São Paulo) com times de outros estados. O critério de composição é basicamente o mesmo: times principais dos estados, independentemente de serem os campeões estaduais do ano anterior. Quanto à diferença de nome, é o que menos importa. Afinal, o próprio Brasileirão já foi chamado de Campeonato Nacional e Copa Brasil e, nem por isso, os campeões de 1971 em diante não deixam de ser considerados campeões brasileiros. Pode-se dizer o mesmo a propósito da Copa União e da Copa João Havelange, não obstante, por questões jurídicas, esses campeonatos eventualmente não sejam considerados edições oficiais do Campeonato Brasileiro. A forma não se sobrepõe ao conteúdo.

Por todos esses motivos, nos capítulos anteriores, resolvi agrupar os títulos obtidos de acordo com o critério básico de composição do certame, não em virtude do nome, do critério de organização nem das vagas que garante à Libertadores – mesmo sabendo que a CBF tem outra opinião, cf. RDP nº 3, de 20.12.2010.

Segue planilha que montei para resumir o que disse até aqui. As linhas acompanham a ordem cronológica, enquanto as colunas estabelecem a classificação “genealógica” dos certames. Espero, com isso, permitir uma melhor visualização das “linhas sucessórias” ou “hereditárias” dos torneios interestaduais que estamos tratando.
 

 

Ano Seleções Est. Campeões est. BR Campeões est. RJ-SP Principais Times RJ-SP Principais times BR
1901 RJ-SP        
1902 RJ-SP        
1903          
1904          
1905          
1906          
1907 RJ-SP        
1908          
1909          
1910          
1911     Salutaris    
1912          
1913 RJ-SP        
1914 RJ-SP   dos Campeões Estaduais    
1915 RJ-SP   dos Campeões Estaduais    
1916 RJ-SP        
1917 RJ-SP   Ioduran    
1918 RJ-SP   Ioduran    
1919 RJ-SP   Ioduran    
1920 RJ-SP Copa dos Campeões      
1921          
1922 BR        
1923 BR        
1924 BR        
1925 BR        
1926 BR        
1927 BR   dos Campeões Estaduais    
1928 BR        
1929 BR        
1930     dos Campeões Estaduais    
1931 BR   dos Campeões Estaduais    
1932          
1933 BR     Rio-São Paulo  
1934 BR        
1935 BR        
1936 BR        
1937   Copa dos Campeões      
1938 BR        
1939 BR        
1940 BR     Rio-São Paulo  
1941 BR   dos Campeões Estaduais    
1942 BR   dos Campeões Estaduais Quinela de Ouro  
1943 BR        
1944 BR        
1945          
1946 BR        
1947     dos Campeões Estaduais    
1948          
1949          
1950 BR     Rio-São Paulo  
1951       Rio-São Paulo  
1952 BR     Rio-São Paulo  
1953     dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo  
1954 BR     Rio-São Paulo  
1955       Roberto Gomes Pedrosa  
1956 BR        
1957       Roberto Gomes Pedrosa  
1958       Roberto Gomes Pedrosa  
1959 BR Taça Brasil   Roberto Gomes Pedrosa  
1960   Taça Brasil   Roberto Gomes Pedrosa  
1961   Taça Brasil   Roberto Gomes Pedrosa  
1962 BR Taça Brasil   Roberto Gomes Pedrosa  
1963   Taça Brasil   Roberto Gomes Pedrosa  
1964   Taça Brasil   Roberto Gomes Pedrosa  
1965   Taça Brasil   Roberto Gomes Pedrosa  
1966   Taça Brasil   Roberto Gomes Pedrosa  
1967   Taça Brasil     Roberto Gomes Pedrosa
1968   Taça Brasil     Roberto Gomes Pedrosa
1969         Roberto Gomes Pedrosa
1970         Taça de Prata
1971         Campeonato Nacional
1972         Campeonato Nacional
1973         Campeonato Nacional
1974         Campeonato Nacional
1975         Copa Brasil
1976         Copa Brasil
1977         Copa Brasil
1978         Copa Brasil
1979         Copa Brasil
1980         Campeonato Brasileiro
1981         Campeonato Brasileiro
1982         Campeonato Brasileiro
1983         Campeonato Brasileiro
1984         Campeonato Brasileiro
1985         Campeonato Brasileiro
1986         Campeonato Brasileiro
1987 BR       Copa União
1988         Campeonato Brasileiro
1989    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
1990    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
1991    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
1992    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
1993    Copa do Brasil   Rio-São Paulo Campeonato Brasileiro
1994    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
1995    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
1996    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
1997    Copa do Brasil   Rio-São Paulo Campeonato Brasileiro
1998    Copa do Brasil   Rio-São Paulo Campeonato Brasileiro
1999    Copa do Brasil   Rio-São Paulo Campeonato Brasileiro
2000    Copa do Brasil   Rio-São Paulo Copa João Havelange
2001    Copa do Brasil   Rio-São Paulo Campeonato Brasileiro
2002    Copa do Brasil   Rio-São Paulo Campeonato Brasileiro
2003    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2004    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2005    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2006    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2007    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2008    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2009    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2010    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2011    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2012    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro
2013    Copa do Brasil     Campeonato Brasileiro

 

 

6. Torneios entre campeões regionais
 
 
Em 1968, a CBD instituiu o Torneio Zonal Centro-Sul-Norte-Nordeste do Brasil. Era uma competição em que o campeão do Torneio Centro-Sul e o campeão do Torneio Norte-Nordeste (torneios equivalentes a uma segunda divisão do Campeonato Nacional). Ou seja, equivale a um torneio entre campeões regionais e, simultaneamente, à decisão da “segunda divisão” nacional de 1968. A partida Nacional-AM 1x0 Grêmio Maringá, jogada no Maracanã, em 24.08.1969, como preliminar de Brasil x Venezuela (pelas Eliminatórias da Copa de 1970), que nos livros consta como um amistoso, a revista Placar Tira-Teima apresenta como final da edição 1969 desse Torneio. No entanto, o que temos no site da RSSSF e em alguns livros é que, enquanto o Torneio Norte-Nordeste foi jogado nos anos de 1969 e 1970, o Centro-Sul de 1969 não foi concluído e o de 1970 nem sequer foi jogado. Ademais, há partidas do Centro-Sul de 1969 que foram jogadas depois da suposta final no Maracanã. Então, devo supor que foi um amistoso mesmo.

O mesmo critério de organização em chaves regionais, tanto da Taça Brasil quanto do Torneio Zonal, foi utilizado na Segunda Divisão do Campeonato Nacional de 1971, dividido nas Zonas Norte-Nordeste e Centro-Sul. Também são regionais algumas edições da Terceira Divisão do Brasileirão, por motivos de economia, já que isso reduz os custos de deslocamento das equipes.

O que nos impede de considerar a Segunda Divisão de 1971 e as edições regionalizadas da Terceira Divisão como torneios entre campeões regionais não é a ausência dos principais clubes, pois não restringimos aos “campeões regionais entre times principais” (o que excluiria também o Torneio Zonal), mas a carência de autonomia. Como vimos acima, os Torneios Norte-Nordeste e Centro-Sul tinham certa autonomia entre si, tanto que o primeiro foi concluído em 1969 e 1970. Também eram de certo modo autônomos em relação ao próprio Torneio Zonal Centro-Sul-Norte-Nordeste, que, ao contrário do Norte-Nordeste, nem foi disputado em 1969 e 1970 (por falta do Centro-Sul). Já as chaves regionais de 1971 não tinham esse caráter autônomo; eram apenas parte do campeonato nacional da segunda divisão.

A Taça Brasil, como sabemos, reunia os campeões estaduais, motivo pelo qual colocamos no capítulo próprio. Esse era seu critério de composição. Mas ela era organizada por meio de chaves regionais: Zona Sul, com Grupo Sul (Campeonato Sul-brasileiro) e Grupo Leste (depois Centro), Zona Norte etc. As finais do torneio eram disputadas pelos campeões dessas chaves, de modo que, pelo critério de organização, a Taça Brasil era, de certo modo, “regionalizada”.

Pelo já citado critério da autonomia, devemos desconsiderar a Taça Brasil como um torneio entre campeões regionais, não obstante o Grupo Sul da Zona Sul seja chamado de Campeonato Sul-brasileiro, o que pressupõe certa autonomia. Afinal, como dissemos acima, o nome não importa. Ademais, o nosso critério básico tem sido o da composição do torneio, não o da organização.

O mais autêntico torneio entre campeões regionais foi a Copa dos Campeões, entre os vencedores das Copas Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul-Minas, Torneio Rio – São Paulo, além dos campeões estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Saiu do calendário em 2003, juntamente com os regionais (à exceção do Campeonato do Nordeste, que sobreviveu até esse ano).
 
ENTRE CAMPEÕES REGIONAIS – BRASIL
Ano Campeão Vice Torneio
1968 Grêmio Maringá Sport Torneio Centro-Sul-Norte-Nordeste
2000 Palmeiras Sport Copa dos Campeões
2001 Flamengo São Paulo Copa dos Campeões
2002 Paysandu Cruzeiro Copa dos Campeões
Títulos: 1 – Grêmio Maringá, Palmeiras, Flamengo, Paysandu
Por estado: 1 - Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará

 

7. Torneios entre campeões nacionais
 
 
 
Em 1968, a CBD instituiu o Torneio dos Campeões da CBD. Era uma competição em que o campeão do Torneio Zonal Centro-Sul-Norte-Nordeste (equivalente a uma segunda divisão do Campeonato Nacional) disputaria com o campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (equivalente à primeira divisão do Nacional) o direito de jogar contra o campeão da Taça Brasil. Ou seja, trata-se de um torneio entre campeões nacionais, dado o caráter nacional dos três campeonatos envolvidos. Só teve a edição de 1968, quando o Grêmio Maringá, campeão do Torneio Zonal, empatou dois jogos com o Santos, que desistiu de jogar a terceira partida. Por falta de calendário, foi cancelada a disputa com o Botafogo, campeão da Taça Brasil, e o Grêmio Maringá foi declarado campeão do Torneio.

A Copa dos Campeões da Copa Brasil de 1978, organizada pela CBD, reuniu os campões brasileiros de 1971 (Atlético-MG), 1974 (São Paulo) e 1977 (Vasco). Foi vencida pelo Atlético.

O Torneio dos Campeões de 1982 teve o seguinte critério de composição: equipes que já tinham vencido pelo menos uma competição de âmbito nacional. Ou seja, era com os campeões históricos, não os do ano do torneio ou do ano passado. Digamos então que foi uma versão brasileira da Supercopa, disputada de 1988 a 1997 entre os campeões da Libertadores. O America-RJ, que participou como convidado, venceu o torneio. Guarani, vice.

O modelo de torneio entre times que ganharam títulos de âmbito nacional em um mesmo ano – experimentado no Torneio dos Campeões da CBD – foi retomado somente em 1990, com a Supercopa do Brasil. Era um encontro entre o vencedor do Campeonato Brasileiro e o da Copa do Brasil do ano anterior. Só teve duas edições. Em 1990, com dois jogos; em 1991, com apenas um jogo – assim como a Recopa, entre o campeão da Libertadores e o da Copa Sul-americana.

No ano seguinte, teve uma Taça Brahma dos Campeões, também chamada de Supercopa, só que entre o campeão da Primeira com o da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.

Esta última Taça me deu uma idéia para interpretar o imbroglio de 1987. Comparemos a seguir o que aconteceu nesse ano com a Taça Brahma e com aquelas edições do Brasileirão em que há um cruzamento entre as divisões.

Nos Campeonatos Brasileiros da década de 80, times da 2ª divisão (Taça de Prata, da Taça CBF e Torneio Paralelo) disputavam o direito de participar de fases posteriores do campeonato da 1ª divisão. O mesmo ocorreu na Copa João Havelange, quando os times melhor colocados da 2ª (Módulo Amarelo) e 3ª (Módulos Verde e Branco) divisões se classificaram para jogar com times da 1ª divisão (Módulo Azul). Essa era a organização. Observa-se nesses torneios uma disparidade na composição dessas fases posteriores, em que há o cruzamento entre os times originários de divisões distintas. Isso porque, nelas, há mais times vindos da 1ª divisão que times das outras divisões. Por fim, as divisões são torneios autônomos, cada qual com seus campeões próprios, mas isso é relativizado no que tange ao cruzamento que permite a times da 2ª e 3ª divisão participar de fases posteriores da 1ª. Nesse aspecto, as divisões funcionam como chaves de uma fase do campeonato.

Em comparação, a Taça Brahma foi organizada numa única partida entre o campeão da 1ª com o da 2ª divisão. Quanto à composição, foi paritária: um time de cada divisão, apenas os campeões. Quanto à autonomia, as divisões são torneios indiscutivelmente distintos.

E o que aconteceu em 1987? A CBF, à revelia do Clube dos Treze, organizou um quadrangular entre os dois primeiros colocados da 1ª (Módulo Verde) e da 2ª (Módulo Amarelo) divisões. A composição foi paritária: dois times de cada divisão. No que diz respeito à autonomia, a questão se complica, pois o Clube dos Treze considera que aquilo que a CBF chama de “Módulo Verde” na realidade é um torneio autônomo: a Copa União. Já a CBF o considera uma chave integrante de uma fase do campeonato.

O que se verifica é um paralelo claro entre a Taça Brama e o campeonato de 1987 no critério que tenho considerado como básico para as análises, que é o da composição: em ambos os casos, a composição foi paritária. No entanto, não foi paritária a participação dos times da 2ª divisão nos campeonatos citados da década de 80 e na Copa João Havelange. Essa distinção de tratamento tem total relação com a autonomia dos campeonatos. Uma distribuição desigual de vagas só faz sentido num torneio em que as chaves possuem uma distinção, por assim dizer, hierárquica: atribui-se mais vagas à 1ª divisão que à 2ª se o título disputado for da 1ª. Todavia, não faria sentido que a Recopa distribuísse suas vagas desigualmente entre Libertadores e Sul-americana, nem que a Supercopa do Brasil fosse entre campeão e vice do Brasileirão contra apenas o campeão da Copa do Brasil. A Taça Brahma seguiu essa orientação: como não era uma fase do campeonato da 1ª divisão, não havia motivo para dar mais vagas à 1ª que à 2ª divisão: deu apenas uma vaga para cada.

Daí que a composição paritária do quadrangular entre os Módulos Verde e Amarelo de 1987 o aproxima de um campeonato entre campeões nacionais. Se ele fosse uma fase (final) do campeonato da 1ª divisão, a história demonstra que teria outra composição, com mais times da 1ª (Módulo Verde) que da 2ª divisão (Módulo Amarelo). Foi assim nos Campeonatos Brasileiros da própria década de 80, bem como na Copa João Havelange.

A propósito, há quem defenda que o quadrangular final de 1987 foi organizado não para definir um campeão brasileiro unificado, mas para selecionar os participantes para a Libertadores de 1988 – que foram, não por outro motivo, Sport e Guarani. Faz sentido, já que o poder de indicar os participantes era da CBF, não do Clube dos Treze. Além disso, como já dissemos no item 5, não vemos na distribuição das vagas para a Libertadores um critério seguro para caracterizar a natureza do certame. Todavia, em nossa opinião, ainda que o objetivo desse quadrangular fosse indicar os participantes da Libertadores, ele assumiu o papel de um torneio entre campeões nacionais.

Assim, apesar do nome – que pouco importa, como já dissemos acima várias vezes –, é possível classificar o Campeonato Brasileiro de 1987 como um torneio entre campeões nacionais: campeões e vices da Copa União e da 2ª divisão. Que fique claro que isso não é nenhum demérito para o glorioso Sport. Pelo contrário: significa integrar um seleto rol de campeões de um tipo de torneio que, infelizmente, não tem sido comum no Brasil.

Aliás, a CBF poderia retomar a Supercopa do Brasil como uma Recopa brasileira: dois jogos que prometem arrecadação e não tumultuariam o calendário de ninguém. Serviria até como um tira-teima entre Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Atualmente, a disputa está empatada: um título para um campeão da Copa do Brasil (Grêmio) e um para um campeão brasileiro (Corinthians).
 

 

ENTRE CAMPEÕES NACIONAIS – BRASIL
Ano Campeão Vice Torneio
1968 Grêmio Maringá Santos Torneio dos Campeões da CBD
1978 Atlético-MG São Paulo Copa dos Campeões da Copa Brasil
1982 América-RJ Guarani Torneio dos Campeões
1987 Sport Recife Guarani Campeonato Brasileiro
1990 Grêmio Vasco Supercopa do Brasil
1991 Corinthians Flamengo Supercopa do Brasil
1992 Flamengo Paraná Taça Brahma dos Campeões
Títulos: 1 – Grêmio Maringá, Atlético-MG, America-RJ, Sport, Grêmio, Corinthians, Flamengo
Por estado: 2 - Rio de Janeiro; 1 Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo

 

 

8. Para finalizar
 
 
 
Como é sabido, por meio da RDP nº 3, de 2010, a CBF reconheceu como títulos brasileiros, em pé de igualdade com o Campeonato Brasileiro: a Taça Brasil, o Roberto Gomes Pedrosa de 1967 a 1969, e a Taça de Prata de 1970. Fez isso com base num dossiê do grande pesquisador santista Odir Cunha, merecedor do maior respeito.

O capítulo mais importante do dossiê, salvo engano, é o que afirma que não faz sentido comparar a Taça Brasil à Copa do Brasil. Para tanto, o autor argumenta que:
a) ao contrário do campeão da Copa do Brasil, o campeão da Taça Brasil era considerado “campeão brasileiro”;
b) a Taça Brasil definia todas as duas vagas brasileiras para a Libertadores, ao contrário da Copa do Brasil, que define apenas uma das cinco;
c) a Copa do Brasil, desde 2001, não permite a participação dos times que competem na Libertadores e alguns grandes clubes escalam times reservas, de modo que é um “torneio dos excluídos”, o que explica algumas surpresas em cada edição.

Com o devido respeito, entendo que os aspectos apontados não afastam o que estou utilizando neste estudo, que é o critério de composição. Ademais:
a) se a questão é ser chamado “campeão brasileiro”, como conciliar dois “campeões brasileiros” por torneios diferentes, em 1967 e 1968?
b) se o número de vagas para a Libertadores é relevante, por que o Roberto Gomes Pedrosa de 1967 e 1968 é considerado campeonato brasileiro, se não justamente pelo que chamo de critério de composição? por que o critério é usado somente neste caso?
c) se o número de vagas para a Libertadores é relevante, então o que dizer de 1969, quando o Brasil não enviou representantes à Libertadores? significa que não tivemos um campeão brasileiro? mas então, como o “Robertão” é reconhecido como campeonato brasileiro?
d) de 1989 a 2000 – e novamente a partir de 2013, segundo foi anunciado – os participantes da Libertadores também poderão jogar a Copa do Brasil.

Sendo assim, em nome do critério de composição, mantenho a opinião de que Taça Brasil e Copa do Brasil são torneios da mesma categoria, conforme explicado nos itens 3.2 e 5, acima.

Que fique claro: não considero um demérito essa distinção e também discordo que compará-la à Copa do Brasil “desoficializa” a Taça Brasil. Como explicamos exaustivamente acima, cada categoria de torneio deve ser respeitada em si e em suas diferenças. Não considero a Copa do Brasil inferior ao Campeonato Brasileiro. É apenas um torneio diferente, com critérios próprios, tanto de composição quanto de organização. E é nessa diferença que ela se justifica porque, se fosse igual, seria apenas uma cópia do próprio Campeonato Brasileiro – uma duplicidade que, certamente, não faria sentido (tanto é assim que, quando o “Torneio do Povo” ameaçou concorrer com o Campeonato Brasileiro, foi extinto).

Por todos esses motivos, concordo com a unificação dos títulos do Campeonato Brasileiro com os do Robertão (como defendi no item 4.2), mas discordo de sua unificação com os da Taça Brasil. Nesse sentido, uma proposta a refletir seria unificar os títulos da Taça Brasil com os da Copa do Brasil, tal como esbocei no item 3.2. Unificar os títulos conforme a, por assim dizer, identidade “genética” dos torneios, o seu “DNA”, que procurei rastrear neste trabalho.

Agora, se é para misturar tudo, por que só Taça Brasil com Campeonato Brasileiro? Se for para desconsiderar a “identidade genética” dos torneios, então que tal se a mistura dos “ingredientes” fosse feita até as últimas conseqüências, ou seja, somando todos os torneios brasileiros entre principais times (item 4.2) com os que reúnem os campeões estaduais (item 3.2)?

Por todos os motivos já examinados, creio que isso não seria exatamente uma “unificação”, mas uma verdadeira “confusão” entre torneios de composição muito diferente. Por isso, não defendo isso mas, apenas a título de curiosidade, o resultado seria o seguinte:
 
Clube Títulos de Torneios Brasileiros Total de Títulos
  Entre Principais Times Entre Campeões Estaduais  
Palmeiras 6 4 10
Santos 3 6 9
Flamengo 6 3 9
Corinthians 5 2 7
Cruzeiro 2 5 7
São Paulo 6 0 6
Grêmio 2 4 6
Fluminense
Vasco
4
4
1
1
5
5
Internacional 3 1 4
Atlético-MG
Bahia
Botafogo
1
1
1
1
1
1
2
2
2
Atlético-PR
Coritiba
Guarani
1
1
1
0
0
0
1
1
1
Criciúma
Juventude
Paulista
Paulistano
Santo André
Sport
0
0
0
0
0
0
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Totais por estados (Leopoldo Sant’Anna ficaria contente):
36 – São Paulo
21 – Rio de Janeiro
11 – Rio Grande do Sul
9 – Minas Gerais
2 – Bahia, Paraná
1 – Pernambuco, Santa Catarina
 
Desconheço quem defenda uma “unificação total”, como essa acima.
Em compensação, há um ou outro pedido individual, de reconhecimento de títulos isolados. Vejamos alguns dos que vêm sendo apresentados à imprensa e à própria CBF:
a) o Flamengo quer o reconhecimento da Copa União, de 1987: pelo motivos já expostos nos itens 4.2 e 7, em nossa opinião, o pleito é procedente (repito: pelos motivos já explicados, estou abstraindo as decisões administrativas e judiciais);
b) a Portuguesa de Desportos quer o reconhecimento do Torneio Rio – São Paulo como título brasileiro, por ser o antecessor do Roberto Gomes Pedrosa: como já explicamos nos itens 4.1, 4.2 e 5, o “Robertinho” realmente é o embrião do “Robertão”, mas o critério de composição é flagrantemente distinto, porque se restringe a dois Estados; logo, em nossa opinião, o pleito é improcedente;
c) o Grêmio Maringá quer o reconhecimento do Torneio Zonal Centro-Sul-Norte-Nordeste, de 1968, como título brasileiro: de acordo com o que já explicamos no item 6, do ponto de vista do critério de composição, esse é um “torneio entre campeões regionais” e, nessa condição, não se confunde com o Campeonato Brasileiro; logo, em nossa opinião, o pleito é improcedente; também seria improcedente eventual pedido de reconhecimento do Torneio dos Campeões da CBD, de 1968, uma vez que se trata de “torneio entre campeões nacionais”, pelos motivos explicados no item 7.

Diante de tudo isso, devemos concluir que uma unificação de títulos é possível, sim. E recomendável. Mas se tiver por critério a composição básica dos certames, deveria ser conforme itens 5 a 7, acima. Ou seja, respeitando as diferenças de critérios, sem que isso signifique mérito ou demérito para nenhum dos campeões.

Atenção, caro leitor, isto tudo é apenas uma opinião, só isso. Não é uma decisão da CBF, muito menos uma ordem judicial. Aliás, não é uma imposição, nem sequer uma “decisão”, apta a repercutir na história de nenhum clube. Não quero obrigar ninguém nem quero convencer ninguém. Agradeço o apoio de quem concorda e respeito quem discorda.

Para encerrar, observamos que este nosso estudo tem como foco a questão da unificação dos títulos brasileiros, não a elaboração de um ranking – embora seja tentadora a idéia lançada por alguns leitores, a quem publicamente agradeço. O problema é que um ranking exigiria a definição clara de critérios para ponderação das pontuações atribuídas aos vários torneios, p.ex.:
• os títulos de torneios entre campeões estaduais (Taça Brasil e Copa do Brasil) têm o mesmo peso, i.e., a mesma pontuação dos torneios entre principais times (Campeonato Brasileiro)?
• em caso negativo, representa que fração? metade, dois terços, quanto? como justificar que a pontuação da Copa do Brasil representa metade e não dois terços, ou um terço, ou quatro quintos, da pontuação do Campeonato Brasileiro?
• essas mesmas questões se repetem na definição da pontuação dos torneios entre campeões regionais (item 6) e entre campeões nacionais (item 7);
• como pontuar títulos divididos entre clubes?
• edições distintas de um mesmo torneio têm pontuação distinta conforme o número de jogos necessários para obter o título? ou conforme o rating médio dos participantes?
• como pontuar as posições intermediárias da tabela? e o rebaixamento?

Salvo engano, é praticamente impossível tomar essas decisões sem a adoção de certo grau de arbitramento de valores. Porque os torneios não são grandezas matemáticas. A partir de sua descrição, por mais completa que seja, é impossível deduzir matematicamente quanto eles valem em pontos. Para uma aferição matemática de grandezas não matemáticas é necessário recorrer à fixação até certo ponto discricionária de números, que seriam, no caso: as pontuações por tipo de torneio, os critérios de ponderação e as proporções entre as pontuações.

Isso sem contar que um ranking de clubes seria incompleto se desconsiderasse torneios aqui não abordados, como os estaduais, regionais, internacionais e mesmo nacionais de divisões inferiores. Com a repetição, em todos eles, dos mesmos problemas de atribuição e ponderação de pontos.

Por todos esses motivos, a elaboração de um ranking acarreta uma série de desafios que confesso não estar preparado para enfrentar, ao menos neste primeiro momento. Futuramente? Talvez. Enquanto isso, caso alguém queira aproveitar este meu trabalho para, a partir dele, criar um ranking de clubes, fica aí a sugestão.

 

 

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